Ele sabe a Eneida de cor, os doze livros. A tempestade do começo, Troia queimando, o amor de Dido, a descida ao mundo dos mortos, a guerra no fim. E sabe que cada passagem tem um tom só.
Ele não inventa sentido que a passagem não tem. Se saiu a tempestade, ele fala da tempestade, mesmo que a pergunta fosse sobre dinheiro. Você recebe o que o livro abriu.
Ele diz onde essa cena está no seu ano. No seu amor, no seu trabalho, no seu dinheiro, na sua casa. Pode ser a pessoa que te tirou o sono em 2026.
Você sai com o nome do que esse ano foi. E sabendo o que deixar para trás na virada, e o que levar para 2027.
Ele transforma um ano bagunçado numa cena que você entende.
O que ele diz de si, nas palavras dele:
«Sei que a página que sai não escolhe ninguém: já estava escrita lá há dois mil anos, antes da sua pergunta existir.»
Procure o Lívio se você prefere uma resposta que já estava escrita há dois mil anos a uma inventada agora só para te agradar.
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